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Hidradenite Supurativa

Hidradenite supurativa: por que as lesões voltam e como o tratamento pode ajudar

Entenda os sinais da doença, por que ela não é contagiosa e a importância do diagnóstico precoce.

Revisão editorial: agosto de 2026

Em resumo

A hidradenite supurativa é uma doença inflamatória crônica, imunomediada e não contagiosa. Ela provoca nódulos, abscessos, secreção, túneis e cicatrizes, principalmente em áreas de dobra e atrito. O diagnóstico precoce e o tratamento individualizado ajudam a controlar a inflamação e a prevenir danos permanentes.

Uma doença crônica que costuma voltar

A hidradenite supurativa é uma doença inflamatória crônica da pele. As lesões costumam aparecer depois da puberdade e retornar repetidamente em regiões como axilas, virilhas, nádegas, região abaixo das mamas e dobra abdominal.

É comum que a doença seja confundida com furúnculos. Essa semelhança contribui para atrasos no diagnóstico. A hidradenite, porém, não é causada por falta de higiene, não é uma infecção comum e não é contagiosa.

As lesões podem provocar dor intensa, secreção, odor, dificuldade para movimentar braços ou pernas e cicatrizes. Quanto mais cedo a doença é reconhecida, maior a possibilidade de controlar a inflamação antes que cicatrizes produzam alterações permanentes na pele.

O que acontece na pele

A hidradenite supurativa envolve predisposição genética, resposta exagerada do sistema imunológico e alterações nos folículos pilosos (estruturas da pele onde os pelos se formam). O processo inflamatório leva ao surgimento de nódulos profundos e dolorosos.

Com o tempo, algumas lesões podem se romper e drenar secreção. Áreas inflamadas próximas podem se conectar por canais sob a pele, chamados túneis. Quando a inflamação regride, pode deixar cicatrizes espessas, retraídas e/ou dolorosas.

Por que não se trata apenas de uma infecção

Bactérias podem proliferar dentro das lesões e aumentar a inflamação, mas não são a causa primária da doença. Por isso, drenar um abscesso ou usar antibiótico sem um plano de tratamento adequado pode aliviar uma fase aguda, mas geralmente não controla a hidradenite.

Os antibióticos são utilizados no tratamento da doença por terem efeito sobre as bactérias e ação anti-inflamatória. A escolha, a combinação e a duração precisam seguir protocolos médicos.

Onde as lesões costumam aparecer

As regiões mais afetadas são áreas de dobra, calor e atrito. Axilas, virilhas, região genital, nádegas, parte interna das coxas, abaixo das mamas e dobra abdominal são locais frequentes. Algumas pessoas apresentam lesões em outros locais.

Um episódio isolado não confirma o diagnóstico. O dermatologista avalia o tipo de lesão, a localização e a repetição ao longo do tempo. A presença de comedões (lesões semelhantes a “cravos” pretos) duplos, túneis e cicatrizes aumenta a suspeita.

Por que as lesões voltam

A hidradenite é uma doença crônica. Mesmo quando uma lesão melhora, a tendência inflamatória pode permanecer naquela região ou surgir em outra área. Atrito, calor, tabagismo e excesso de peso podem agravar o quadro em parte dos pacientes.

Esses fatores não explicam sozinhos a doença e não devem ser usados para responsabilizar a pessoa. Há pacientes magros que nunca fumaram e desenvolvem hidradenite. Mudanças de estilo de vida podem ajudar, mas não substituem o tratamento.

Dor, secreção e odor precisam ser abordados sem julgamento

A secreção pode ter odor desagradável e manchar roupas. A dor pode dificultar caminhar, sentar, levantar os braços, praticar atividade física ou manter relações íntimas. Muitas pessoas escondem as lesões por vergonha e demoram a procurar ajuda.

O impacto emocional inclui ansiedade, depressão, isolamento e redução da autoestima. A doença também pode comprometer trabalho, estudo e sono. O cuidado deve considerar sintomas físicos, saúde mental e vida social.

Como o diagnóstico é feito

O diagnóstico é clínico. Em geral, não existe um exame único que confirme a hidradenite. O médico analisa as lesões, os locais afetados e a recorrência. Exames podem ser solicitados para investigar complicações, infecção secundária ou doenças associadas.

A gravidade pode ser medida por instrumentos que consideram número de nódulos, abscessos, túneis, áreas afetadas, dor, secreção e impacto na qualidade de vida. Essa avaliação orienta o tratamento e permite acompanhar a resposta.

Como é feito o tratamento

O tratamento costuma combinar medidas de suporte, medicamentos e procedimentos. Em quadros localizados, podem ser utilizados tratamentos tópicos. Casos mais extensos ou recorrentes podem exigir antibióticos sistêmicos, terapias imunomoduladoras ou medicamentos biológicos.

Procedimentos cirúrgicos podem ser necessários para drenar coleções dolorosas, remover túneis ou tratar áreas com cicatrizes e inflamação persistente. A cirurgia não deve ser vista como falha do tratamento. Em muitos casos, ela faz parte de um plano combinado.

Cuidados que ajudam no dia a dia

Roupas folgadas e tecidos macios reduzem atrito. A higienização deve ser delicada, com as mãos, sem buchas ou esponjas. Curativos absorventes e não aderentes podem proteger a pele, controlar a secreção e diminuir o desconforto. Interromper o tabagismo e tratar comorbidades associadas são medidas importantes, conduzidas sem culpa e, quando necessário, com apoio multiprofissional.

  • Atrito

    Preferir roupas folgadas e tecidos macios. Evitar peças apertadas em áreas inflamadas.

  • Higiene

    Lavar delicadamente com as mãos e produtos indicados. Não usar buchas ou esponjas.

  • Curativos

    Usar opções absorventes e não aderentes quando houver secreção.

  • Tabagismo

    Buscar apoio para interromper o cigarro, sem tratar o hábito como culpa pela doença.

  • Peso corporal

    Quando aplicável, planejar mudanças graduais com acompanhamento profissional.

  • Lesões dolorosas

    Não espremer, furar ou drenar em casa. Procurar orientação médica.

Quando procurar avaliação médica

Procure um dermatologista quando nódulos dolorosos ou abscessos reaparecerem nas mesmas regiões, houver secreção recorrente, cicatrizes ou dificuldade de movimentação. O diagnóstico precoce reduz o risco de dano permanente.

Febre, mal-estar, vermelhidão que se espalha rapidamente, dor intensa fora do padrão ou sinais de infecção extensa exigem avaliação rápida. Não esprema nem tente abrir as lesões em casa.

O controle é possível, mesmo quando o caminho parece longo

A hidradenite supurativa pode ser desafiadora, mas existem opções de tratamento e novas terapias continuam sendo estudadas. O plano precisa considerar gravidade, áreas afetadas, doenças associadas, preferências e impacto na rotina.

O acompanhamento regular permite ajustar o tratamento, prevenir progressão e recuperar atividades que foram limitadas pela dor, pela secreção ou pelo medo de novas crises.

Informação importante

Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento individualizado. Medicamentos não devem ser iniciados, interrompidos ou modificados sem orientação profissional.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre hidradenite supurativa.

Referências utilizadas

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Data de consulta das fontes: 4 de agosto de 2026. Conteúdo-base clínico de Dra. Ana Paula Galli Sanchez — CRM 81979-SP / RQE 39160.

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